utopia do voo

Este é o registo das minhas tentativas de voo. As fracassadas e as bem sucedidas...

Terça-feira, Março 03, 2009

Incerteza? Decisão?

Há uma brisa fria, gélida nesta noite ainda longa de um inverno que ainda se mantém. Algo emerge aqui. Uma leve claridade ao longe, um amanhecer que toca o horizonte. Sentada. Uma asa aberta. Ciclos de vento que se cruzam. Incerteza demais para um voo que não tem futuro. E é um querer deixar o chão, caminhar pelos céus uma vez mais. Mas não sozinha. Preciso de forças. Preciso ver a paisagem correr lá na planície, preciso balançar-me entre o rebentamento das ondas. Preciso sentir-me livre de tudo o que me ata aos dias pesados que já terminaram. Preciso cortar as amarras, içar âncora.
Preciso partir.
Abrir asas.
Voar.

Voo...

A liberdade de um ser
A vontade do mundo conhecer
Eleva o nosso pensamento e tira-nos a razão
Faz-nos descodificar a porta do coração
Descodificação alta e imponente
Irreal neste mundo exigente
Liberdade de voar e de sentir
Liberdade de gritar e descontrair
Vontade real
Real, especial, sem igual
Conhecimento mundano de aventura
Para viver no mundo com candura
Candura, emoção, dedicação
Que conferem ao planeta o dom da paixão
Paixão louca, estranha, ardente
Que retira o Homem de um estado carente
Voo mágico e por vezes fugaz
Mas que muita diferença na vida faz
Muda mentes e corações
Conferindo aos voadores grandes e belas emoções…

João Paulo S. Félix

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Angelo d'Arrigo

No meio da minha pesquisa curiosa acerca do voo encontrei informação sobre este homem e algo nele me cativou imediatamente. Uma existência curta, mas absolutamente extraordinária. Existência essa que perdura com a força de todos quantos realmente o acompanhavam e continuam agora a sua utopia do voo ;)



Site oficial aqui.

Beijo enorme à Nilza e ao Zé. SAUDADES!!!!!!!!!!

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Finalmente... de volta ;) ;)

Sinto-me diferente. Estou diferente. De certo não.De certeza que sim. Que tudo é uma imensa utopia, tal como esta utopia de voltar ao céu. A diferença é tão somente inexistente que eu me sinto igual a tudo o que já fui. A mesma irreverência. O mesmo acreditar incessante. A mesma força. Não. Esta é bem diferente. É tudo o que eu já era e tudo quanto em ti me impulsiona: a própria razão de continuar. Quero recuperar tudo o que esteve guardado tanto, tanto tempo em mim. Quero-me de volta.

Domingo, Dezembro 09, 2007

UTOPIA DO VOO... aqui se guardam as memórias e se alicerçaram as forças pra continuar...

cinco meses depois... não ha utopia. Nasceu aqui a realidade.

Estou de volta. Sem textos muito longos. Complexos ou metafóricos. Apenas o assinalar que ainda me mantenho aqui, nesta existência conturbada. Cinco meses. Que horror. Tanto tempo. Mas eu não vejo que ja passaram cinco meses. A minha percepção do tempo é irreal. Aliás. Qual tempo? Apenas existo. Respiro. Sei que estou aqui. E vim para dar um abraço a todos os que estiveram por perto neste cinco intermináveis meses. Não tenho palavras. Melhor. Ficam guardadas para que não comecem ja aqui a tatuar-se infinitamente, numa descrição rigorosa e sublime do que sinto nesta alma que quer voar, so tirar os pés do chão, mas não consegue nem levantar a asa. Sinto-me como se estivesse a andar há cinco longos meses, sem parar para dormir ou sequer descansar, mas com uma vontade louca, doentia talvez, de continuar, de correr, apesar de as pernas ja não saberem estar em pé. E é essa estúpida reacção de querer caminhar contra o absurdo de não admitir a não existência que me coloca assim. Confusa, andante, distraída, perturbada, talvez. E quero apenas que alguém me dê a mão, me sente novamente na tal encruzilhada que apenas em vejo e me faça descansar. Repousar e perceber que não ha nenhuma encruzilhada, nem vários caminhos a seguir. Apenas um. Este e nenhum outro. So eu os vejo. E eles são simplesmente inexistentes. Não há opção onde ja não ha caminho. Eu sei. Mas continuo a não querer saber. Mas eu sei. E tenho que querer saber. Para poder andar pelo único caminho que ainda resta. Eu sei. Eu quero ir. Mas tenho que descansar para poder ir.
Estou quieta. Sinto apenas o ar que me sustém. Sinto o movimento à minha volta. E é sol. E é vento. E é mar. E sonho, ou estou a voar?
Estas são as últimas palavras nesta utopia do voo.
Quero fechar este ciclo. E começar não posso, recomeçar não quero para não voltar a errar. Acabou-se a utopia. Daqui em diante, manda a realidade. Eu so quero voar. Não num sonho, mas com as asas da minha determinação, que procuro estender sob as lágrimas que aqui ficam passados cinco meses. Basta de cansaço. Estou exausta. Quero sossego de mim própria. Apenas sentir a vida e deixar o passado flutuar no vento que ja lá vai.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

... se alguém souber de mim, por favor entre em contacto... estou perdida no mundo.

...nao encontro a vontade... nem sei se devo procurá-la. Tudo está tão calmo e demasiadamente incerto que tudo à minha volta é pura expectativa. Incrivelmente calma, mas sobretudo desassossegada. Nada de novo. Nada será novidade no meio de tanto expectavel e depois de tantas portas que insistem em não permitir entrada. Nada perdido e nada ganho. E tu aí. E eu aqui. E assim será. E porque afinal existem momentos que insistem em ser eternos? Efemeramente eternos na efemeridade breve desta existência. Faz-me falta visitar o meu conselheiro de Melo. Parvoíce, ele nem lá esta, mas também nunca abandonará aquele aldeia virada para a encosta, olhando como eu ao contrário da multidão. Como pode um olhar ser cruzado por tudos os outros? Em sentidos absolutamente opostos. E logo sei que gostaria de ter conversado contigo. Que eu era demasiado nova para perceber que as tuas palavras dos teus livros eram lições. Que eu releio ainda na memória e já nem quero ir olhá-las porque muitas nem me abandonam. Saudades. Melancolia. Serenidade talvez. Incerteza decerto. E a certeza de quantos vão distanciar-se nos próximos meses e um desespero que me impele a prender-te agora que vais embora. E o bom senso que me deixa ver-te ir atrás do teu sonho, da tua sorte que pode ser a tua última ou apenas mais uma. Não quero que vás. Não posso pedir que fiques. Sabia que este seria um ano de mudanças. Mas elas ocorrem em mim. No sentir do pensar. E o que penso não deixa revelar o que sinto. Talvez seja essa a minha aparente calma. Talvez. Talvez seja a certeza do que não queria saber. Talvez tu sejas mais do que a minha companhia, a minha segurança. Talvez tudo seja demasiado concreto para que eu perceba. Talvez não. E sei que nunca o saberei. E é essa consciência que me inquieta. Quero o teu abraço antes de ires embora. E nele vou perdir-te com o coração que nunca entres num avião e muito menos fiques longe tantos meses. E a minha determinação vai encorajar-te a ir e a voltar passados seis meses com esse olhar de horizonte marinho e o abraço que terei então será muito mais forte e feliz que qualquer outro da nossa existência comum. Quero muito que vás. Porque quero sobretudo que voltes depressa. E talvez esta proximidade com os limites, onde a vida e a morte se confundem, me tornem assim inmpressionantemente calma mas insegura. Corajosa mas envolta nas lágrimas da tua ausência. Nunca senti tanto o Amor e a Felicidade de tantas pessoas em mim. Mas também nunca estes dois sentimentos estiveram tão distantes. Só peço à vida que um dia eles regressem para junto do meu olhar, do meu abraço e do meu beijo. ADORO-TE! A ti que me esperas e que eu espero e a ti que vais e eu espero ansiosamente que voltes, e a ti que me aconselhas e ouves e sobretudo amas.

Segunda-feira, Março 05, 2007

...estou a descobrir o melhor de ti através do melhor de mim...

onde eu acreditei que estava o meu equilíbrio, surgia apenas uma breve loucura dos dias quentes e das noites quase eternas... não pensara jamais encontrá-lo aqui, ainda em plenos dias gélidos na capital cultural do douro... mas a vida surpreende-nos incessantemente. Quero apenas respirar a harmonia tranquila que me acompanha e deixar que a vida dedilhe as notas que faltam ainda ouvir... obrigada pela presença. Pela amizade sobretudo.

" 1º RAIDE IBÉRICO DE PARAMOTOR "

Dias 24 e 25 de Março em Olivença, vai decorrer uma prova do campeonato espanhol de paramotor.
Raides lúdicos sobre o Guadiana,Olivença a Elvas(almoço em Elvas) e Elvas Olivença.
Excelente oportunidade para competir junto dos melhores pilotos do mundo…ou relaxar nos raides sobre o Guadiana ..com vista para o Alqueva.Concurso de fotografia aérea
Sábado à noite palestras com Ramon Morillas e Dani Martinez..sobre competição e voo em Trike.
Organização de : Juan Pavon Sales e Clube de Parapente de La Parra Apoio : Escola de Voo de Santiago do Cacém / Portugal
Contactos : 965 095 893
escoladevoo@escoladevoo.com

Informação retirada da Escola do Mestre :)
http://www.escoladevoo.com/novidades.htm

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

"A COOPERAÇÃO COMO MECANISMO DE EVOLUÇÃO".

Este foi o título da Lição dos ilustres professores da Escola Superior de Tecnologia de Viseu, Romeu António Videira e Joaquim Duarte Barroca Delgado nas Comemorações do dia do ISPV.
Esta abordagem científica surpreendeu-me uma vez que se aplica a todas as àreas do conhecimento, apesar de ter sido apresentada nesse dia por um bio-físico. A sua principal ideia é a de que, no início de tudo, do próprio sistema solar, só houve evolução porque os átomos, as moléculas e mais tarde os seres procariotas cooperaram entre si, apesar de muitas vezes estarem em confronto directo. Esta cooperação permitiu muitas vezes a continuidades dos seres e a criação de outros através de simbioses e outros processos semelhante. Espera-se portanto que este princípio seja aplicado em todas as situações a todo o momento, sobretudo quando se visa por termo a situações problemáticas. Hoje lembro especialmente estas palavras porque inacreditavelmente me tenho deparado com situações de não cooperação no trabalho. Quando surge a possibilidade da mesma ser feita, a resposta é surpreendente: "Eu trabalhei sempre sozinho, portanto agora também posso continuar a trabalhar dessa forma, logo não preciso de ti." Esta negação de cooperação até poderia ser considerada normal se se tratasse de uma intromissão ao que estava a ser realizado, o que não é o caso. Apenas a certeza de que o que está a ser feito poderia ser imensamente enriquecido e melhorado. Obviamente que os resultados se reflectiriam no desenvolvimento das crianças. Mas enfim... Pois bem. Assim seja. Menos um ser humano que evolui. Mas não é por isso que desisto, portanto: Há por aí alguém que queira evoluir?

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

A Cerimónia da Entrega do Prémio versus Acidente da Cátia

Depois de me levantar com as galinhas lá consegui chegar aos Serviços Centrais do ISPV com a Aida, a Sara e a Tânia. A Cátia deu notícias logo às sete e meia da manhã avisando que estava a sair de casa em Leiria para vir assistir à entrega. Sinceramente, no meio daquela agitação toda e do contacto com os outros contemplados, incluindo a Márcia, Professora de 1º Ciclo natural do Brasil, nunca mais me lembrei da Cátia que deveria chegar às 11h, ainda a tempo. Tudo decorreu com normalidade e de modo formal, com desfile académico, discurso e entrega dos prémios e das medalhas de ouro às entidades convidadas para o efeito. Lembrei-me apenas dos familiares mais chegados e esses tiveram notícias minhas mesmo antes da entrega ;) Só mais tarde, ao tentar encontrar a Cátia, telefonando e enviando sms ao longo de toda a tarde percebi que algo de anormal estava a acontecer. Eis o que aconteceu: a Cátia ia para a central dos autocarros em Leiria e uma condutora embateu contra ela. O incrível é que a senhora trazia dois filhos pequenos no carro, um com 3 anos e outro um pouco mais velho. Ultrapassou um camião e embateu contra a Cátia que só tempo de se desviar um pouco para a berma. Para além dos danos materias, podemos já assinar o gesso do pé partido da Cátia e contar-lhe 8 pontos na cabeça. Resumindo: foi um dia muito feliz durante a manhã e com uma preocupação estonteante durante a tarde e noite! O importante é que agora, Cátia, já estás bem e vais ter 4 semanas para te preparares pró "I Rali Gesso de Leiria". Amiga, as melhoras!! Quando puder vou aí visitar-te! Ah! E levo as tuas fotos! Hehe! Relativamente ao prémio: é apenas mais um estímulo para não ficar estagnada. Portanto, fui.

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Prémio Caixa Geral de Depósitos

Estou completamente eufórica!! Há uns meses que não dava tantos pulos e que não estava tão, tão feliz!!!! Caramba! É só a distinção para o Melhor Aluno do Curso ao longo dos quatro anos!! A entrega é durante a manhã da próxima terça-feira dia 21 de Novembro durante as comemorações do Dia do Instituto Politécnico de Viseu. Ao que parece vão estar presentes várias personalidades, entre as mesmas Aníbal Cavaco Silva. Aos poucos vou-me consciencializando do que me está a acontecer... e sinto-me imensamente orgulhosa do que foram estes oitos semestres de tanto trabalho, das colegas de curso, das crianças. E tudo valeu muito a pena. Espero que no futuro consiga colocar em prática o que aprendi e sobretudo nunca perder esta sede de aprender, esta necessidade de estar entre livros e de fazer investigação em Educação Pré-Escolar. E claro lembro-me sempre e obviamente de todos os que tanto, tanto, tanto, tanto, mas tanto me ajudaram. De entre tantos identifico apenas os que foram as bases para que este momento pudesse acontecer. A minha mãe. O meu irmão. Os meus tios. As minhas tias. Os Docentes e Funcionários da Escola Superior de Educação de Viseu - Pólo Lamego. As Educadoras Cooperantes: Teresa Almeida, Sandra e Clara Monteiro. As colegas de estágio: Lúcia Silva, Sandra Ferreira, Aida Silva, Paula Bento e claro todos os Amigos que me empurraram quando eu não tinha forças e que festejaram comigo sempre que mais um obstáculo era ultrapassado. A todos: MUITO, MUITO, MUITO OBRIGADA!Na terça feira quando estiver lá e sempre, durante toda a a minha vida, nunca vou esquecer que estou onde e como estou, porque tive sempre pessoas fabulosas em meu redor! Quero agradecer aos amigos que vão estar presentes. Aida, Cátia, Ana, Nelson, Gisela! E claro, se puderes aparece! Até lá, no fim de semana, bora comemorar com pessoal em Castelo Branco!!!! Depois conto como foi! Kiss!

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

tantas, tantas, tantas palavras!

Não sei o que se passa, ou melhor é a vida que passa. Sim é a vida que me leva, me acorda enfim uma vez e outra. E essa continuidade tem-me levado para lá de tudo o que consigo compreender. Demasiado. De tudo. Até das palavras. Elas soltam-se nem sei como, espalham-se indecifravelmente pelas folhas ainda há pouco brancas e não me fazem qualquer sentido, é como um estado de hipnose talvez. E as noites muito curtas para o corpo cansado, e os dias repetem-se demasiado depressa. E volto mais tarde às palavras e todo o seu significado e significante se correlacionam e a sua coerência é maior do que todo aquela que me rodeia nestas últimas semanas. Tenho escrito imenso. Uma terapia quase diária que me deixa entrar no mundo que só eu conheço e do qual quase nada sei. Estranho. Mas tem o poder de uma terapia. Retorno ao mundo. Caminhar talvez. Dormir de certo

comentários... sem comentários.

Sorry, tive algumas dificuldades em publicar alguns comentários. Obrigada a quem foi dando notícias e a quem retorquiu em relação à inercia que se tem visto por aqui... após algumas alterações parece-me que de momento está tudo operacional. Lamento informar que não haverá muitas novidades por aqui pelo menos nas próximas semanas mas tenho o prazer de avisar que quando reiniciar valerá bem a pena. Ah! Please assinem os comentários... isto é um pedido um tanto ou quanto caricato, porque se o anónimo quis ficar sem nome... enfim. Bom fim de semana! Eu vou relaxar, ficar quietinha a ouvir os sons da natureza e deixar a mente pousar suavemente no escorrer de dois dias sem preocupações de maior. Claro que nem tudo será descanso! Amanhã vai haver futebolada! sorry, just for girls ;)

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

desaparecida mas viva!

as mudanças têm sido tantas q nao tenho tenho tido tempo pro blog... mas para os amigos ha sempre um tempinho e aqueles com quem não tenho comunicado só tenho cinco palavras: pessoal voçes são cinco estrelas!!
Qto ao blog, ao voo... qdo tiver as ideias mais acentes e mais tempo, trato disso.

Domingo, Setembro 17, 2006

avizinham-se mudanças no blog

Há muito para registar e discutir sobre vários temas que me interessam particularmente mas muito distintos, pelo que estou a pensar em soluções.
Provavelmente vai ser criado um blog dedicado ao voo com maior incidência sobre o paramotor, portanto a utopia do voo vai continuar mas num novo formato.
O blog dedicado à educação, sobretudo à educação de infância ainda está só idealizado. Nao sei qual será o nome... aceito sugestões!

A actual utopia ficará... para mais tarde recordar!! E talvez também venha a ser o meu refúgio para as minhas crises existencias, quando as questões metafísicas me inquietarem.

Incongruências...

- Alguma te aconteceu estares a fazer algo e sentires que devias fazer exactamente o contrário?

Nem sei se estas foram exactamente as palavras que me ouvi dizer. Apenas recordo que em mim tudo foi revolta com a decisão que tomara antes. Que tudo me pareceu demasiado importante e a vida em si demasiado pequena para me dar ao luxo de não prolongar cada momento que me é tão significativo.
Felizmente, no instante em que tudo me parecia irremediavelmente inalterável, o som da minha voz fez-se ouvir, talvez o meu inconsciente se tenha lembrado segundos antes que "cada segundo que passa é uma oportunidade para mudar tudo".
Ainda bem.
"Entre uma infinidade de hipóteses de não teres nascido, saiu-te a sorte de teres nascido. Se te tivesse saído a «sorte grande», haveria gente que se admiraria de isso ter acontecido. Tu mesmo dirias talvez que parecia um «sonho», que era inacreditável, que ainda não tinhas caído em ti do assombro.
Mas essa sorte foi a de um número entre dezenas de milhares ou mesmo centenas. mas teres nascido é ter-te saído a sorte entre biliões e biliões e biliões de hipóteses negativas. Saiu-te o número inscrito numa areia do universo. Tu tens pois o previlégio incrível de veres o sol, as flores, os animais. De ouvires as avas e o vento. De. E todavia, como esqueces isso tão facilmente. Breve tudo se te apagará em silêncio. Breve a oportunidade de estares vivo cessou. Provavelmente ninguém mais saberá que exististe. E mesmo os que souberem, não se saberá um dia. Num momento não muito longínquo morrerá o último homem sobre a face da Terra. Esse é, aliás, o momento da tua própria morte, porque tu és o primeiro e o último homem que nasceu. Tudo é rápido e sem consequências. A única consequência és tu e a vida que viveres. Não a desperdices. Não inutilizes a fabulosa sorte que te calhou. Vê. Ouve. Pára, escuta e olha, que a morte vai passar. E terás cumprido ao menos, para com o universo, um pouco do teu dever de gratidão."
Vergílio Ferreira, n.178, in Pensar
Receber a tua mensagem na manhã de ontem foi apenas a confirmação do que ja pressentias. Um abraço bem, bem apertado minha Amiga. E agora, mais convicta do que em todos os outros momentos quando te empurro para a frente, solta-se em mim um incentivo, um grito que por vezes eu sei que te ensurdece: não desistas de tudo o que de bom estás e tens ainda a fazer!! Não sintas que já fizeste tudo que devias. Eu sei que ainda não fizeste nada do que efectivamente querias. Não continues a olhar para trás. So estás a perder tempo do que ainda te resta. Vem. Deixa de olhar por cima do ombro e olha para o cimo do horizonte. É lá que vais encontrar o que procuras.

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Conversas a dois nas quais apenas uma voz é audível.

Meu Amigo, demorei algum tempo até encontrar as palavras que deixaste. Enfim, resulta das mudanças que fui forçada a fazer durantre os últimos meses e procurei em quase toda a parte onde tenho coisas tuas.
Ja esperava que aquela agonia súbita daquela consciência feroz de que tento me falaste surgisse logo nas primeiras linhas, como tantas vezes aconteceu.
Porém, desta vez tudo foi diferente, terrivelmente diferente e veio acabar com muitas dúvidas que tinha. Ela surgiu vários dias antes e apesar de não demorar mais do que a eternidade de uns breves segundos, ela foi insistente e impulsionou-me para encontrar finalmente o que tinhas deixado.
Esta é a principal novidade e sobretudo a mais intrigante. Releio agora novamente e uma vez mais, as páginas sublinhadas, com especial atenção as que escreveste quando sentiste o que ainda sinto neste instante quando lhes compreendo o significado.
Loucura?
Sorrias quando ouvias essa palavra. Buscavas nela o sentido como fazias com o simples respirar de uma alma que se aproximasse de ti. Ja para não falar da tua, que não te dava descanso. E sobre qual procuraste sempre o sentido. Questino-me tantas vezes se realmente o terás encontrado. Porque apenas recordo quando dizias para eu tinha que o procurar, na tua, nas outras, na minha.
Loucura ou não. Prefiro chamar-lhe lucidez. E sei que se aqui estivesses anuirias e farias um leve sorriso de um professor que se sente acompanhado pelo aluno.
Tenho dúvidas. Tantas! E se pudesses ouvir-me ainda, não haveria uma questão que ficasse por colocar, uma razão por procurar, e...
E uma vez mais olho as tuas palavras.
E às letras, aos pensamentos, às críticas, faço o que posso... dou-te voz.

Festival Aéreo Cercal do Alentejo

No dia 30 de Setembro e 01 de Outubro vai decorrer mais uma vez um evento aéreo incluído nas Festas Desportivas da região.
Não terá a vertente competitiva do ano anterior, pelo que segundo José Boieiro, um dos responsáveis da Escola de Voo, trará maior número de pilotos a esta região alentejana.
Todos estão convidados a vislumbrar a paisagem alentejana de uma nova perspectiva sem a pressão dos resultados que noutras circunstancias se exigiriam.
Apareçam! E claro, bons voos!

Domingo, Agosto 13, 2006

Fui visitar um velho Amigo

Estive em Melo ontem. Fica a meia dúzia de kms de Gouveia. Ja não ia lá há uns anos, 5 ou talvez mais. O propósito era visitar um Amigo de longa data. Passei na rua onde ele tantas vezes chegou e partiu. Estive em frente da casa onde ja entrei. Onde ja estive sentada no seu lugar preferido. Ele não estava. Eu sabia. Descobri ha vários anos que chegara demasiado tarde para lhe ouvir a voz e ver os passos calmos que raramente se passevam pelas ruas da aldeia. Contudo fui ter com ele. Mais uma vez, la estava, virado para a Serra da Estrela, ao contrário de todos os outros que já o acompanham. Sento-me num pequeno muro ao seu lado. Inspiro o silêncio da tarde... aos poucos resisto para que essa consciencia que ha tanto não me assalta, não me inquite agora mais uma vez. E ela compreende e não insiste... este local empurra-me mais uma vez para as questões que tantas vezes discutimos em conjunto... lembro-me então das tuas palavras, do que eu pensei em relação a elas, do quanto discordei e de quantas vezes li a minha alma nas linhas que escreveste.
Penso que seria tão bom ter conversado longas horas contigo, teria-te dito o quanto me revia na tua existência e nas questões que colocavas e não menos nas tuas certezas. Teria sido diferente. Levar-me-ias a sério? Era demasiado nova e quando se tem 16 anos poucas pessoas nos levam a sério.
Penso nas pessoas que viram o mesmo que tu observaste aqui nesta encosta da Serra, na sorte que elas tiveram. Conheceram-te. Conheceram? Partilharam momentos contigo. Mas duvido que alguma delas te tenha conhecido realmente. São vidas e olhares muito distintos. E ao lembrar o quanto me fizeste feliz quando descobri que ao conhecer a tua alma, estava a descobrir a minha, sorrio... porque, meu Amigo, afinal, pelo menos em parte, conheci-te. Levanto-me sem pressa.
Vou agora procurar, uma vez mais na estante, as palavras que deixaste. Ja volto com elas. Para conversarmos um pouco mais.

Parapente!! Paramotor!! Calma... não vale a pena discutir. Vamos conversar.

Quem me conhece estará provavelmente a questionar-se. Se a minha paixão é o Paramotor, porque vou ver um festival de Parapente? Pois é verdade. Apenas um reparo. A minha paixão: o Voo. E um esclarecimento: o meu curso de Paramotor realizado na Escola de Voo do Santiago do Cacém iniciou-se com aulas de parapente, o que infelizmente, ainda não acontece em todas as esolas de paramotor do país. Incluiu alguns saltos, de pouca altitude é certo, mas sem eles muito provavelmente hoje não me sentiria tão confiante e capaz de fazer Paramotor, porque é demasiado exigente fisicamente e precisa de muito trabalho de chão com a asa e de saber primeiro o que é voar (o que o Parapente permite de forma inigualável) antes de colocar o motor às costas. O Parapente é mais cómodo do ponto de vista lúdico, para fazer um voo sem o peso e o barulho do motor. Plenamente de acordo. Contudo também me parece óbvio que o paramotor permite ao piloto ter outra autonomia podendo descolar de um terreno plano sem necessidade de subir a montanha e sobretudo as provas em competição têm um cariz muito diferente e exigem muita perícia do piloto no controle acelarador-comandos, como é o caso do Slalom. No Festival ouviram-se alguns desabafos acerca do "pessoal do motor" que dá uma imagem errada do desporto, ainda para mais quando a população, regra geral, associa a Parapente, tudo o que tem asa, seja Paramotor, Asa Delta, etc. Isto acontece porque às vezes os pilotos sobrevoam zonas habitacionais e de multidões, como as praias em pleno mês de Agosto, a baixa altitude fazendo passagens baixas (a 20 ou 30 metros e menos… e tantas vezes com pouca experiência nestas manobras) e depois lá acontece que o resultado não é o mais feliz, e claro o incómodo para quem está de férias. Têm razão. Já existem regulamentos acerca de onde e em que condições se pode voar, a legislação que regulamenta o Paramotor está praticamente para ser tornada pública e espera-se que as pessoas sejam mais conscientes e que seja o início de uma nova era do Voo em Portugal. Lamento desde já que não esteja prevista a obrigatoriedade destes cursos se iniciarem com aulas de Parapente a sério, incluindo saltos de pouca altitude.
Apenas mais um esclarecimento: o Paramotor permite ao piloto, sempre que o desejar, desligar o motor (excepto é claro no momento da descolagem), o que torna o voo exactamente igual ao Parapente, com as mesmas exigências e resultando no mesmo prazer de voar, pelo que também era interessante ver mais pilotos do parapente a experimentar o paramotor. Parece-me que os dois desportos juntos se complementam nas suas possibilidades e no prazer que deles resulta, logo não tem lógica que se alimente um clima de quase rivalidade.
Espero que se avizinhem bons voos por terras lusas e arredores e que sobretudo as escolas de voo, essencialmente no que diz respeito ao Paramotor, façam uma boa formação dos seus pilotos, não apenas no que diz respeito a aspectos aerodinâmicos, meteorológicos, mecânicos, mas também cívicos.
Relativamente ao parapente, fica um desejo, não passar para a eternidade sem saltar em Linhares. Foi simplesmente LINDO!!
Para quem estava com dúvidas quando começou a ler, aqui fica a resposta. Um voo para relaxar? Para mergulhar na imensidão do céu? Para fazer acrobacias espectaculares no céu utilizando somente o potencial do vento e das térmicas? Parapente. Um voo com autonomia na descolagem e nos movimentos no ar, podendo inclusivamente fazer Touch & Go, Slamom… arrepiar de adrenalina ao voar com grande velocidade muito perto do solo? Relaxar quando apetece? Paramotor.
Nao, não escolham um. Experimentem os dois! Esta é a minha opinião, num momento em que realizo o meu curso avançado de piloto de Paramotor e me deslumbro com o Parapente. Espero no futuro poder sentir os encantos suaves do Parapente da mesma forma que agora sinto a intensa adrenalina do paramotor. Para quê? Ora... para, dependendo do estado da alma e do corpo, poder tanto "mergulhar" como "acelerar"!
Pessoal: BONS VOOS!!

II Festival de Parapente Linhares da Beira

Este Festival está a decorrer entre dia 12 e 15 de Agosto numa das mais belas aldeias históricas de Portugal. Por este motivo não é de estranhar que se diga que podemos encontrar "Linhares entre o céu e a terra".
Tem uma vasta riqueza patimonial: Largo da Misericórdia, Solar dos Corte-Real, Solar Pina Aragão, Fonte de São Caetano, o Castelo, entre outros. E claro, a Casa do Parapentista, alojamento de apoio à Escola de Parapente.
Mais interessante que o passeio demorado pela aldeia é a possibilidade de começar a ver o céu pintar-se de asas que aos poucos se elevam no cimo da encosta.
O primeiro dia permitiu algumas mangas e várias vezes foi possivel assistir a verdadeiras danças no céu, acrobacias que por largos momentos calavam completamente a assistência. A tarde terminou com largas dezenas de parapentistas a voar, numa tentativa de bater o recorde português de maior número de asas no ar (aguarda-se neste momento a confirmação), oferecendo aos vistitantes e aos habitantes de Linhares um fim de tarde absolutamente fabuloso, independentemente de se estar perto da aldeia, observando as manobras de aterragem, como na encosta, observando o insistente mergulho das asas por entre a teimosia de um vento demasiado forte.

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Encontrei... a minha paz.

É tarde... em poucas horas os primeiros raios de sol ja vão estar aqui e eu, talvez vencida pelo cansaço, ja estarei deitada, aguardando ainda que os teus olhos venham beijar os meus...
É estranho... deixo que a alma se transporte para as palavras, mas elas apenas sorriem e cada pensamento solta-se... eleva-se na suavidade quente de mais uma noite de Verão, e facilmente te encontro... naturalmente, talvez.
Ao fim de muitos anos tudo em mim se amansa... se tranquiliza numa certeza que não se desvenda mas que se mantém segura de si.
Procuro quem fui... neste silêncio calmo onde a lua governa procuro os meus receios... Onde moram agora as minhas inseguranças? Onde está aquela angústia insistente?
Percorro o passado... olhando-o com saudade... melancolia talvez.
E lá encontro tudo o que fui... o que eram as minhas certeza inabaláveis que a vida me obrigou a reformular. Tudo o que foram os dias sofridos que passaram e entre eles rebusco a criança de sorriso fácil... a adolescente irreverente...
Obrigo as memórias felizes a emergirem e sorrio porque aos poucos encontro quem fui.
Fecho lentamente o meu baú de sonhos... deixo que o pulsar do tempo me traga de novo para aqui, neste amanhecer que surge ao longe...
Os olhos sucumbem às horas que não perdoam e insistentemente querem manter-se fechados...
Há algo subtil... muito subtil... que está presente. Sei que és tu. Que os nossos olhos conversam ainda e que o silêncio é a única testemunha presente.
E agora podia procurar as mais caras e ousadas palavras para embelezar este momento. Mera perca de tempo.
Não importa o que é, apenas que existe. Não interessa como é, qual a sua forma, em que termos acontece, apenas que se sente. E isso basta.
Nomes. Conceitos. Palavras.
Para quê?
De que interessa dizer "amigo" se não tenho ninguém a quem chamá-lo?
Qual a vantagem de dizer "verdade" se não houver coerência no meu discurso?
Sou apenas alguém que respira, luta e sobretudo acredita. Em quê? Acredito que "cada segundo é uma oportunidade para mudar tudo". E de certo naquele segundo em que tu te aproximaste... tudo mudou.
Vem voar comigo... ajuda-me a reforçar as minhas asas... abraça-me com a tua vontade de viver e mostra-me que não é um sonho. Que ainda estou acordada e que os meus olhos ainda conversam com os teus...
E neste momento só tenho uma certeza... existem momentos raros que justificam a nossa existência... e este, é indubitavelmente um deles.
Talvez porque te encontrei...
De certo porque ME encontrei.

Sexta-feira, Junho 16, 2006

Lamego... até sempre!!

Quantas vezes me ouviram barafustar por causa de tantas frequências, trabalhos, dossiers, relatórios,…
Quantas vezes me senti moribunda, desesperada, perdida na encruzilhada que me trouxe para o 1898 do 0625 da ESEV-Pólo Lamego.
Quantas vezes quis ir embora, esquecer que alguma vez aqui estive….
Quantas vezes quis que as férias chegassem pra ir embora… mas sabia que em algum dia ia à central dos autocarros e mais uma vez pedia:
- Um bilhete pra Lamego, por favor.
Quantas? Quantas amizades? Quantas lembranças? Quantas alegrias? Quantas? Quantas coisas que poderiam ter sido diferentes? Quantas? Quantas jamais poderão ser tão fabulosas? Quantas? Tantas!!! Tantas!!! Imensas.
Nestes dias tudo tem sido diferente. Até o tempo, a chuva, este Inverno que não deixa chegar o Verão. Tudo me parece demasiado diferente. E sinto nestas tardes de chuva a melancolia da saudade destes quatro anos que agora deixam chegar o Verão.
Sinto a Vida que se transforma, me arranca das minhas certezas e comodidades da vida de estudante e me empurra, me atira para um labirinto onde o desconhecido e a incerteza governam e tudo me confunde!
E nunca as palavras do filósofo tiveram tanto significado, e agora, mais do que nunca, “só sei que nada sei”!!
Sei apenas que quero acreditar, ainda e sempre, na ilusão de que voltarei a ver ou a ter notícias de cada um que gora vejo recolher ao seu canto, desde Almodôvar ao Faial. E que será apenas um “-Até logo!” mas é difícil calar a evidência da racionalidade quando sei ainda, que nunca mais poderei ver ou ter notícias de alguns, ou de tantos!! Como aqueles que seguiram caminhos tão diferentes e que nunca mais me permitiam a ter uma novidade…
E apetece-me gritar, refilar, retorquir com a Vida, chamá-la à razão, dizer-lhe que não pode ser assim, que não tem o direito de me roubar tudo quanto cresceu ao longo destes meses, e alguns infindáveis!!
E grito. E refilo. E returco. E a Vida olha-me, sorri levemente. E diz-me que sim. Que posso ficar com tudo o que quero. Que posso. E eu sorrio radiante e quando dou por mim… nada me resta. Estou sentada na muralha do meu Castelo Banco e recordo cada rosto, cada criança, cada lágrima, cada conquista mas não me permito perder nada do que foram estes quatro anos.
Sinto que a Vida me foi infiel, incumpridora da sua palavra e entre a minha desilusão mostra-se um leve fio de angústia. Mas a Vida, aquela Vida que apenas prometeu, mais, que garantiu, continua firme na sua certeza, expectante, sorrindo da minha raiva e dos insultos que lhe envio. E sorri ainda. Mas não fica imóvel mais do que um segundo e prossegue a sua caminhada. E grito. E refilo. E returco.
- Hei! Vida desnaturada!?! Então e agora vais-te embora assim? E eu?!
Mas ela já desapareceu por detrás do que resta da muralha, deixou no ar um aroma a desafio que me rasga a alma melacólica e num pulo já corro atrás dela. E a determinação é tal que os pés já só tocam levemente o chão. Não, já não o sinto! É o voo da utopia! Não, é a utopia do voo! O certo é que já descolei. Que estava ansiosa pra saber o que iria acontecer depois.
Por enquanto é apenas o puro prazer do voo livre, da descontracção do dever cumprido. Quando este me deixar por causa das responsabilidades de piloto que mais cedo ou mais tarde me questionarão acerca da minha perícia, então, todo o meu melhor, tudo o que Aprendi ao longo destes quatro anos e tudo quanto for aprendendo com o meu Mestre, tudo será colocado à prova. Mas sei que jamais deixarei o bom que foram estes dias em Lamego, guardados no sótão ao pó. Eles estarão sempre comigo. Acordarão, caminharão, lutarão, sonharão e voarão comigo. Assim como cada rosto, cada crianças, cada lágrima, cada conquista. Porque posso. Posso guardá-los e levá-los comigo, junto com a bagagem que me há-de acompanhar até ao meu último voo.
Afinal.
Afinal a Vida tinha razão.
Posso.

A Lamego, a todos, mas essencialmente a cada um.
A cada amigo. A cada professor. A cada colega.

ATÉ SEMPRE!!!

Sexta-feira, Maio 05, 2006

PORTUGAAAL OLÉÉÉÉ!! PORTUGAAAL OLÉÉÉ!!


Como os campeões não nascem, por si só, vencedores, e têm de se esforçar nos estágios e nos treinos para lá chegar e fazer boa figura: uns passes acertados... uns toques de calcanhar... umas fintas... uns remates à meia volta ...e é GGGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLOOOOOO!!!!
Então, rapazes, força nisso e VAMOS A ELES!! Não, não! VAMOS A ELA!!!! Afinal de contas, da Alemanha só queremos a TAÇA!!!

Quem disse que "marrar" não compensa... enganou-se!!



A entrega das Bolsas de Mérito decorreu numa cerimónia com um cariz bastante informal e descontraído.
Prof. Doutor João Pedro de Barros, Presidente do Instituto Superior Politécnico de Viseu, proferiu algumas palavras de reconhecimento e de incentivo antes de ele próprio proceder à entrega. As mesmas resumem-se a : "O Futuro está para os Melhores e voçes são os nossos Melhores". Os treze contemplados olharam-se sorrindo, obviamente de contentamento. Mas o certo é que "estas palavras e esta bolsa para além do reconhecimento de Mérito, são sobretudo uma responsabilidade no sentido de prosseguirem entre os melhores. Não basta ser bom num momento, mas ter a capacidade de prolongar esse esforço no sentido de alcançar novas etapas."
Bem, nem me atrevo a dizer mais nada. Então isto é só o princípio... do esforço....
Neste momento (estou a imprimir o projecto final de curso) sinto-me tão exausta destas últimas semanas que nem quero ver mais livros à frente!
Mas conhecendo-me há tantos anos, sei que demorarão poucas semanas até sentir necessidade de retomar este ritmo : )
Então: Mestrado, aqui vou eu !! (tentar pelo menos!)
Esta será sem dúvida a tentativa de voo que exigirá mais de mim.
Espero sobreviver para poder contar como foi, pelo menos a candidatura.

Quarta-feira, Maio 03, 2006

PROJECTO FINAL DO CURSO: a entrega é já amanhã... SOCOOOOOOOORRO!!!!!!

Género e Jardim-de-Infância
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- Uma Perspectiva das Semelhanças entre as Diferenças -



AGRADECIMENTOS

Não existem vitórias expressamente individuais, elas resultam sempre do empenho, directo ou indirecto de inúmeros intervenientes.

Também esta concretização ficou a dever-se à colaboração de várias pessoas. A todas elas quero expressar o meu sincero agradecimento pelo respectivo contributo.
De entre todas realço o grupo de crianças com o qual tive a oportunidade e o prazer de estagiar neste ano lectivo, por todos os momentos e sobretudo pelas aprendizagens que me possibilitaram ter um enriquecimento pessoal e profissional bastante acentuado.
A Educadora Cooperante e as Auxiliares pela disponibilidade e cooperação ao longo deste ano lectivo.
As colegas de estágio Aida Silva e Paula Bento por tantas vezes terem sido um apoio essencial nos momentos mais complicados desta etapa final.
A Marta Coimbra, o Carlos Gameiro, a Isabel Pereira, a Patrícia Marques, a Tânia Pires, o Alexandre Areosa, a Conceição Landeira, pela sua amizade e constante motivação.
Os funcionários da Biblioteca da ESEV – Pólo Lamego, do Pólo de Sociologia e da Biblioteca principal da UBI, pelo aconselhamento e cooperação.
O Paulo Mateus pela sua atenção, disponibilidade e bom humor que tornaram os últimos dias de conclusão do projecto, em verdadeiros momentos lúdicos.
A Docente Adelaide Rodrigues pela sua disponibilidade e orientação ao longo de todo o trabalho.
O Mano pela sua paciência e pelos seus preciosos conselhos.
E finalmente, mas sobretudo, a minha Mãe, principal responsável pelos meus êxitos académicos, pela sua motivação ininterrupta mesmo nos momentos em que as forças de ambas eram poucas, pela Dedicação, pela Amizade, pelo Amor.
A todos e sobretudo a cada um:
- Muito Obrigada!! Considerem-se parte desta concretização!

Terça-feira, Maio 02, 2006

Porque? O que? Quando? Onde? Como? Porque não?

Aconteceu que fui completamente assaltada de repente por todas estas questões. Todas de uma vez. Num único momento.
E fiquei sem saber o que dizer. E a minha resposta foi não dar resposta nenhuma.
E neste momento não procuro respostas nem justificações para o que quer que seja. Nem para a vida, nem para as alegrias, nem para o amor, nem para as lágrimas. Só quero viver. Viver este momento fabuloso que têm sido estes dias. Descobrir a vida a cada instante e deixar que o futuro seja o que o destino quiser.
Só sei que estou bem. Muito bem aliás. Que a tempestade da minha vida aos poucos se acalma e tudo volta a ter sentido de novo.
Sim. São aqueles olhos castanhos. Que me evitam. Que me ignoram. Que me perseguem. A todo o instante. São eles que me questionam e me dão as respostas que eu já não procurava. E é por causa deles que um simples nascer do sol pode significar um novo nascer para a vida.
E onde antes so tinha a solidão dos meus pensamentos, encontro agora um rebento alegre de tudo o que eu pensava ter já esquecido.
Sim. Aqueles olhos castanhos. Que me abraçam e me lembram que "mesmo em terrenos pedregosos, nasce o lírio da montanha".
Não sei para onde vou, nem ao que vou. Só sei que quero ir. Que quero encontrar de novo esse olhar que me acalma, me embala e me impele a procurar o que julgava ja não existir em mim.
É uma tentativa de voo que não pretendo fracassar.

BOLSA DE MÉRITO: é já amanhã!!!!

Iuuuupiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!
Estou completamente em pulgas! Estou contente! Estou feliz! Estou aos pulos! Às cambalhotas! Nem estou em mim!!!
Nem as últimas noites passadas a terminar (estou quase a terminar há algumas semanas...!!!) o projecto final do curso, me conseguem abater de cansaço! Estou completamente eufórica!! Quem diria que um dia conseguiria concretizar este objectivo. Fica provado que a perseverança e a capacidade de resistir à frustração e ao cansaço dão bons resultados!! Estou orgulhosa de mim própria e vejo que todo aquele marranço deu resultado, ainda mais no 3º ano que é caótico!!
Obrigada a todos quantos contribuiram para que este objectivo fosse alcançado!!! Principalmente a quem me aturou em casa durante esse ano: a Patricia e a Isabel. Claro, ao Alex por toda a motivação e apoio. E obviamente e sobretudo à minha Mamy!!!
Estou curiosa para saber como vai decorrer a cerimónia de entrega porque não sei de pormenores. Tenho pena que não possam estar presentes as pessoas de quem gosto mais... mas vai lá estar a minha afilhada e vamos fazer a festa juntas!!
Depois conto como foi :)

Segunda-feira, Março 27, 2006

"Pessoa com Deficiência Visual e Braille - Como enfrentá-los?!"

Na dia 25 começou o curso de iniciação ao Braille.
As surpresas foram constantes ao longo das três horas!! A primeira foi logo ao entrar na sala. Entrei com a Aida. O professor estava atrás da secretária, em pé, cabisbaixo arrumando alguns papéis. O entusiasmo era grande e saudamos o professor com um natural - Bom dia!
Ao professor levantou a cabeça, tentando perceber de onde vinham as vozes e depois respondeu com mais entusiasmo ainda - Muito bom dia!
O facto de o Profeessor Fernando Pereira ser uma pessoa com deficiência visual desde os nove anos após uma doença grave no cérebro, foi o ponto de partida para uma experiência simplesmente formidável!
É Professor de Lingua Portuguesa e História há mais de dez anos e já concluiu o Mestrado em Ciência da Educação há algum tempo.
Só a presença de alguém que tem tanta alegria, tanta coragem e tanto optimismo faz-nos repensar seriamente a forma como vivemos, ou melhor como não vivemos! o que deixamos de lado quando não prestamos a devida atenção e o devido valor a tudo quanto nos acontece a cada momento. E claro a forma como olhamos para as pessoas que possuem deficiências!
É extraordinário estar com alguém que nos fala da vida, de coisas que nunca viu, mas que "vê" melhor que todos nós!


Quarta-feira, Março 22, 2006



Lagoa de Santo André com o meu Mestre!!
E a Nilza claro, também estava lá!
Grandes amigos e excelentes profissionais!

Que saudades!


Estou ansiosa por voltar a voar!

Ainda bem que posso ir matando as saudades e ir pensando
no Verão que se aproxima...

Sexta-feira, Março 17, 2006

Ainda não me peçam para falar nisso!

Tenho recebido vários incentivos no sentido de ir expondo a evolução da situação de alguém que me é muito querido e que está a passar por uma situação complicada.
Eu sei que isso poderia ser um simples desabafo, uma forma de partilhar experiências com outras pessoas que passam pelo mesmo e logo teria aspectos positivos...
Eu sei.
Mas ainda não estou preparada.
Porque a minha vida baralha-se pelo meio da vida dessa pessoa e o luta dela é a minha luta...

Quinta-feira, Março 09, 2006

Dia Internacional da Mulher

Ontem, logo de manhã ao acordar, foi possivel ouvir na rádio algo muito semelhante:
- Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher! Nas últimas décadas a mulher tem ganho terreno no que diz respeito a uma maior intervenção na sociedade, sobretudo a nível profissional. A mulher está mais independente, mais moderna...
O resto da notícia perdeu-se por entre os pensamentos imediatos que se me insurgiram. Parece-me muito interessante observar a importância que se dá actualmente às mulheres.
Cada vez mais ocupam lugares de destaque nas empresas, na política, na vida pública em geral.
Os partidos políticos até acham que se deve aumentar a percentagem de participação de mulheres na vida política.
Realmente é muito interessante! Mais ainda saber que as mulheres são condecoradas pelo Presidente da República.
Quantas mulheres são assim reconhecidas pelo seu esforço e pelas suas capacidades?!
Centenas.
Muito bem!!
Mas. Há sempre um "mas"...
Quantas sofrem de abusos, violações e agressões no interior da sua própria casa, são sujeitas a todo o tipo de tortura, inclusivamente são vítimas das suas próprias culturas e obrigadas a passar por momentos socialmente tão importantes quanto os rituais de inicição feminina que culminam com a mutilação genital das mulheres?!
Não, não são apenas alguns milhares, são inúmeros milhões espalhados por todo este mundo!
Perdoem-me estes pensamentos incisivos. Talvez o facto de ter situações próximas me dificulte ver e pensar com outra frieza e racionalidade e não consiga pensar algo como:
- As mulheres nunca estiveram tão bem como actualmente. Nunca tiveram tantas portas abertas nem tantas instituições e organizações não governamentais a auxiliá-las.
Felizmente isso de certa forma é verdade. Mas apesar de muito estar a ser feito, é uma tarefa interminável. E até utópica porque vai contra tradições e costumes. E não é facil chegar a uma sociedade e dizer-lhes:
- Já pensaram na barbaridade que estão a cometer?!
E mesmo dentro da nossa "lusitana terra" há muito para fazer. Ou melhor sobretudo por dizer. Porque são imensos os casos de situações de abusos e violência que nunca são tornados públicos nem denunciados porque os vizinhos e familiares não estão para ter problemas depois.
Não quero com esta conversa dizer que sou uma defensora absoluta de toda e qualquer mulher. Que apenas tenho uma visão feminista das coisas. Pelo contrário! Existem inúmeros homens que também são sujeitos a este tipo de situação.
Simplesmente, no Dia Internacional da Mulher parece-me importante que se valorize o que tem sido feito mas que se tenha consciência do que há pra fazer e não estar a tornear a realidade com actos públicos simbólicos como se tudo estivesse bem.
Acima de tudo, e sobretudo, do género, haja consideração por todos e por cada ser Humano, independentemente de terem sido sorteados por uma herança genética XY ou XX.
E ao invés de existir um dia do ano para lembrar isso, cada dia deveria ser uma oportunidade aproveitada para reverter essa situação em favor da própria sociedade. Porque as consequências não são apenas para a mulher que fica com marcas físicas e psicológias inapagáveis, mas o seu rendimento profissional, a sua estabilidade familiar e o desempenho no seu papel de mãe são obviamente muito influenciados.
O saldo negativo destas situações afecta cada um de nós, ainda que muitas vezes, apenas indirectamente!
Não fiques a pensar.
Age.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

"O que seria do futuro se o presente tivesse medo do passado?!"

Por muito turbulentos que tenham sido muitos dias, já por cada um de nós percorrido, chega um momento em que já não há mais forças para chorar, para ficar num murmúrio sofrido, de olhos presos na causa das lágrimas que nos atira contra uma parede, nos esmaga a coragem e nos deixa cair lentamente... e damos por nós assim, sentados num canto, tentando abandonar-nos a nós mesmos. Querendo deixar tudo para trás, e acrescentar definitivamente um ponto final.
E emerge a solidão desesperada de uma incompreensão demasiado profunda.
E tudo são dúvidas e areias movediças.
E tudo acaba.
É a desistência que vence e se torna heroína de uma batalha há muito perdida...
Não, talvez ainda não...
Porque algo recomeça.
Há ainda um gesto invencido que não se resigna.
E aquele olhar perdido tem ainda um toque suave de vida.
Emerge um ultimo suspiro de vida e nele soltam-se aos poucos memórias vagas, inconstantes, surpreendentemente fugazes.
Nada mais por dizer.
Nada mais falta fazer.
Nada mais poderá ser feito.
E neste momento tudo começa a ter sentido, porque já nada tem sentido nenhum. Não se procura um milagre, uma palavra que perfure todas as certezas concretas de uma existência já de si tão incerta. Nem mesmo um abraço forte de saudade, sincero ou também ele desesperado.
Nada se procura.
Nada se espera.
Mas algo se encontra... e habita ainda por entre a loucura moribunda de um destino que termina. Sussurra na lentidão da sua fraqueza que há uma razão, um motivo insistentemente significativo.
Há algo por fazer.
Há sempre muito para fazer.
Tudo ainda poderá ser feito.
E quando não havia mais nenhuma lágrima ainda viva, contra tudo o que o é expectável, elas surgem ainda mais impulsivas que nunca.
É a morte que abraça...
É a vida que luta....
É a coragem da sobrevivência que se impõe... e ganha ainda esta batalha.
Apesar de ficarem tantas cicatrizes de tanto sofrimento, de tanto que ficou por dizer, por fazer, por amar...
E ainda que tantos desistam...
Não desistas.
Não pelos outros mas sobretudo por ti.
E serás capaz de fazer tantas coisas, de dizer tantas mais. E de gostar. De amar. De novo.
Não desistas de ti.
Nunca. Ainda que essa seja a única porta que parece abrir-se. Porque em algum lugar, numa incerteza como a tua, de certo está aquele olhar que te acalma, aquele silêncio paciente que te compreende, aquele sorriso que te encanta.
Levanta-se.
Sai desse mundo só.
E se de todo não conseguires encontrar essa pessoa, aguarda serenamente que ela te encontre...
E sobretudo não engarrafes o amor que tens em ti.
Porque ele é tão imenso que será simplesmente impossível. E se alguém não compreendeu a grandeza do que sentias, não prives outra pessoa de ter esse previlégio, de poder estar momentos inesquecíveis a teu lado.
Não desistas.
Não te resignes.
Por ti...
Por mim....
Pelo mundo. Ele necessita de sobreviventes corajosos e não de fortes desistentes.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Fala-me de ti!

A Cristina nasceu numa aldeia do interior de Portugal. Lembra-se ainda do cheiro da terra molhada, do vento na copa das àrvores,dos baloiços improvisados nos troncos dos pinheiros. Das correrias pelas encostas. De adormecer a tentar contar as estrelas nas noites quentes de Verão. Que saudades desse tempo!!
Mais tarde mudou-se para a cidade. Algumas dificuldades de integração. Não é todos os dias que se troca uma turma de quatro colegas por vinte...
E entretando, até hoje, surgiram várias paixões: o futebol, a leitura, a educação de infância, a política, e a última e absolutamente fascinante o paramotor!!!!

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Este é o registo das minhas tentativas de voo.
As fracassadas e as bem sucedidas...