... se alguém souber de mim, por favor entre em contacto... estou perdida no mundo.
...nao encontro a vontade... nem sei se devo procurá-la. Tudo está tão calmo e demasiadamente incerto que tudo à minha volta é pura expectativa. Incrivelmente calma, mas sobretudo desassossegada. Nada de novo. Nada será novidade no meio de tanto expectavel e depois de tantas portas que insistem em não permitir entrada. Nada perdido e nada ganho. E tu aí. E eu aqui. E assim será. E porque afinal existem momentos que insistem em ser eternos? Efemeramente eternos na efemeridade breve desta existência. Faz-me falta visitar o meu conselheiro de Melo. Parvoíce, ele nem lá esta, mas também nunca abandonará aquele aldeia virada para a encosta, olhando como eu ao contrário da multidão. Como pode um olhar ser cruzado por tudos os outros? Em sentidos absolutamente opostos. E logo sei que gostaria de ter conversado contigo. Que eu era demasiado nova para perceber que as tuas palavras dos teus livros eram lições. Que eu releio ainda na memória e já nem quero ir olhá-las porque muitas nem me abandonam. Saudades. Melancolia. Serenidade talvez. Incerteza decerto. E a certeza de quantos vão distanciar-se nos próximos meses e um desespero que me impele a prender-te agora que vais embora. E o bom senso que me deixa ver-te ir atrás do teu sonho, da tua sorte que pode ser a tua última ou apenas mais uma. Não quero que vás. Não posso pedir que fiques. Sabia que este seria um ano de mudanças. Mas elas ocorrem em mim. No sentir do pensar. E o que penso não deixa revelar o que sinto. Talvez seja essa a minha aparente calma. Talvez. Talvez seja a certeza do que não queria saber. Talvez tu sejas mais do que a minha companhia, a minha segurança. Talvez tudo seja demasiado concreto para que eu perceba. Talvez não. E sei que nunca o saberei. E é essa consciência que me inquieta. Quero o teu abraço antes de ires embora. E nele vou perdir-te com o coração que nunca entres num avião e muito menos fiques longe tantos meses. E a minha determinação vai encorajar-te a ir e a voltar passados seis meses com esse olhar de horizonte marinho e o abraço que terei então será muito mais forte e feliz que qualquer outro da nossa existência comum. Quero muito que vás. Porque quero sobretudo que voltes depressa. E talvez esta proximidade com os limites, onde a vida e a morte se confundem, me tornem assim inmpressionantemente calma mas insegura. Corajosa mas envolta nas lágrimas da tua ausência. Nunca senti tanto o Amor e a Felicidade de tantas pessoas em mim. Mas também nunca estes dois sentimentos estiveram tão distantes. Só peço à vida que um dia eles regressem para junto do meu olhar, do meu abraço e do meu beijo. ADORO-TE! A ti que me esperas e que eu espero e a ti que vais e eu espero ansiosamente que voltes, e a ti que me aconselhas e ouves e sobretudo amas.


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