utopia do voo

Este é o registo das minhas tentativas de voo. As fracassadas e as bem sucedidas...

Sexta-feira, Junho 16, 2006

Lamego... até sempre!!

Quantas vezes me ouviram barafustar por causa de tantas frequências, trabalhos, dossiers, relatórios,…
Quantas vezes me senti moribunda, desesperada, perdida na encruzilhada que me trouxe para o 1898 do 0625 da ESEV-Pólo Lamego.
Quantas vezes quis ir embora, esquecer que alguma vez aqui estive….
Quantas vezes quis que as férias chegassem pra ir embora… mas sabia que em algum dia ia à central dos autocarros e mais uma vez pedia:
- Um bilhete pra Lamego, por favor.
Quantas? Quantas amizades? Quantas lembranças? Quantas alegrias? Quantas? Quantas coisas que poderiam ter sido diferentes? Quantas? Quantas jamais poderão ser tão fabulosas? Quantas? Tantas!!! Tantas!!! Imensas.
Nestes dias tudo tem sido diferente. Até o tempo, a chuva, este Inverno que não deixa chegar o Verão. Tudo me parece demasiado diferente. E sinto nestas tardes de chuva a melancolia da saudade destes quatro anos que agora deixam chegar o Verão.
Sinto a Vida que se transforma, me arranca das minhas certezas e comodidades da vida de estudante e me empurra, me atira para um labirinto onde o desconhecido e a incerteza governam e tudo me confunde!
E nunca as palavras do filósofo tiveram tanto significado, e agora, mais do que nunca, “só sei que nada sei”!!
Sei apenas que quero acreditar, ainda e sempre, na ilusão de que voltarei a ver ou a ter notícias de cada um que gora vejo recolher ao seu canto, desde Almodôvar ao Faial. E que será apenas um “-Até logo!” mas é difícil calar a evidência da racionalidade quando sei ainda, que nunca mais poderei ver ou ter notícias de alguns, ou de tantos!! Como aqueles que seguiram caminhos tão diferentes e que nunca mais me permitiam a ter uma novidade…
E apetece-me gritar, refilar, retorquir com a Vida, chamá-la à razão, dizer-lhe que não pode ser assim, que não tem o direito de me roubar tudo quanto cresceu ao longo destes meses, e alguns infindáveis!!
E grito. E refilo. E returco. E a Vida olha-me, sorri levemente. E diz-me que sim. Que posso ficar com tudo o que quero. Que posso. E eu sorrio radiante e quando dou por mim… nada me resta. Estou sentada na muralha do meu Castelo Banco e recordo cada rosto, cada criança, cada lágrima, cada conquista mas não me permito perder nada do que foram estes quatro anos.
Sinto que a Vida me foi infiel, incumpridora da sua palavra e entre a minha desilusão mostra-se um leve fio de angústia. Mas a Vida, aquela Vida que apenas prometeu, mais, que garantiu, continua firme na sua certeza, expectante, sorrindo da minha raiva e dos insultos que lhe envio. E sorri ainda. Mas não fica imóvel mais do que um segundo e prossegue a sua caminhada. E grito. E refilo. E returco.
- Hei! Vida desnaturada!?! Então e agora vais-te embora assim? E eu?!
Mas ela já desapareceu por detrás do que resta da muralha, deixou no ar um aroma a desafio que me rasga a alma melacólica e num pulo já corro atrás dela. E a determinação é tal que os pés já só tocam levemente o chão. Não, já não o sinto! É o voo da utopia! Não, é a utopia do voo! O certo é que já descolei. Que estava ansiosa pra saber o que iria acontecer depois.
Por enquanto é apenas o puro prazer do voo livre, da descontracção do dever cumprido. Quando este me deixar por causa das responsabilidades de piloto que mais cedo ou mais tarde me questionarão acerca da minha perícia, então, todo o meu melhor, tudo o que Aprendi ao longo destes quatro anos e tudo quanto for aprendendo com o meu Mestre, tudo será colocado à prova. Mas sei que jamais deixarei o bom que foram estes dias em Lamego, guardados no sótão ao pó. Eles estarão sempre comigo. Acordarão, caminharão, lutarão, sonharão e voarão comigo. Assim como cada rosto, cada crianças, cada lágrima, cada conquista. Porque posso. Posso guardá-los e levá-los comigo, junto com a bagagem que me há-de acompanhar até ao meu último voo.
Afinal.
Afinal a Vida tinha razão.
Posso.

A Lamego, a todos, mas essencialmente a cada um.
A cada amigo. A cada professor. A cada colega.

ATÉ SEMPRE!!!

5 Comentários:

  • Às 26 Junho, 2006 , Anonymous Desocupada disse...

    Lamego sempre!!! :) Encontramo-nos por aí... disso podes ter certeza!! E ao teu irmão também! :D
    Beijos! Beijos! Grandes e já carregados de saudades!

     
  • Às 27 Junho, 2006 , Blogger Cristina disse...

    pois, pois C! Sua desocupada maluca!! Ao meu mano?! Mau! Ve la se cais outra vez na taça!!

     
  • Às 10 Julho, 2006 , Anonymous nelson disse...

    até sempre cristina! e vai dando notícias sff :)

     
  • Às 20 Julho, 2006 , Anonymous Paulo disse...

    A vida passa....Cada pessoa que passa é única, passa sózinha, mas não vai só, leva um pouco de nós ... Existe é aqueles que levam muito... aqueles que não levam nada... Mas no final e o mais importante é a amizade... esta sim, engrandece a vida...

    ........Um amigo Virtual de Lamego

    Paulo

     
  • Às 21 Julho, 2006 , Blogger Cristina disse...

    entao estou feliz por tu ajudares a engrandecer a minha vida ;)
    Fica bem e um big kiss!

     

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