utopia do voo

Este é o registo das minhas tentativas de voo. As fracassadas e as bem sucedidas...

Quinta-feira, Março 09, 2006

Dia Internacional da Mulher

Ontem, logo de manhã ao acordar, foi possivel ouvir na rádio algo muito semelhante:
- Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher! Nas últimas décadas a mulher tem ganho terreno no que diz respeito a uma maior intervenção na sociedade, sobretudo a nível profissional. A mulher está mais independente, mais moderna...
O resto da notícia perdeu-se por entre os pensamentos imediatos que se me insurgiram. Parece-me muito interessante observar a importância que se dá actualmente às mulheres.
Cada vez mais ocupam lugares de destaque nas empresas, na política, na vida pública em geral.
Os partidos políticos até acham que se deve aumentar a percentagem de participação de mulheres na vida política.
Realmente é muito interessante! Mais ainda saber que as mulheres são condecoradas pelo Presidente da República.
Quantas mulheres são assim reconhecidas pelo seu esforço e pelas suas capacidades?!
Centenas.
Muito bem!!
Mas. Há sempre um "mas"...
Quantas sofrem de abusos, violações e agressões no interior da sua própria casa, são sujeitas a todo o tipo de tortura, inclusivamente são vítimas das suas próprias culturas e obrigadas a passar por momentos socialmente tão importantes quanto os rituais de inicição feminina que culminam com a mutilação genital das mulheres?!
Não, não são apenas alguns milhares, são inúmeros milhões espalhados por todo este mundo!
Perdoem-me estes pensamentos incisivos. Talvez o facto de ter situações próximas me dificulte ver e pensar com outra frieza e racionalidade e não consiga pensar algo como:
- As mulheres nunca estiveram tão bem como actualmente. Nunca tiveram tantas portas abertas nem tantas instituições e organizações não governamentais a auxiliá-las.
Felizmente isso de certa forma é verdade. Mas apesar de muito estar a ser feito, é uma tarefa interminável. E até utópica porque vai contra tradições e costumes. E não é facil chegar a uma sociedade e dizer-lhes:
- Já pensaram na barbaridade que estão a cometer?!
E mesmo dentro da nossa "lusitana terra" há muito para fazer. Ou melhor sobretudo por dizer. Porque são imensos os casos de situações de abusos e violência que nunca são tornados públicos nem denunciados porque os vizinhos e familiares não estão para ter problemas depois.
Não quero com esta conversa dizer que sou uma defensora absoluta de toda e qualquer mulher. Que apenas tenho uma visão feminista das coisas. Pelo contrário! Existem inúmeros homens que também são sujeitos a este tipo de situação.
Simplesmente, no Dia Internacional da Mulher parece-me importante que se valorize o que tem sido feito mas que se tenha consciência do que há pra fazer e não estar a tornear a realidade com actos públicos simbólicos como se tudo estivesse bem.
Acima de tudo, e sobretudo, do género, haja consideração por todos e por cada ser Humano, independentemente de terem sido sorteados por uma herança genética XY ou XX.
E ao invés de existir um dia do ano para lembrar isso, cada dia deveria ser uma oportunidade aproveitada para reverter essa situação em favor da própria sociedade. Porque as consequências não são apenas para a mulher que fica com marcas físicas e psicológias inapagáveis, mas o seu rendimento profissional, a sua estabilidade familiar e o desempenho no seu papel de mãe são obviamente muito influenciados.
O saldo negativo destas situações afecta cada um de nós, ainda que muitas vezes, apenas indirectamente!
Não fiques a pensar.
Age.

4 Comentários:

  • Às 14 Março, 2006 , Blogger Maria disse...

    já n me lembro bem da história mas ouvi-a este fds de uma colega minha. o marido fizera-lhe alguma das boas em termos de esquecimento de uma resposabilidade que acabou por cair em cima dela... mas tudo ficou bem porque era dia da mulher e ele até lhe tinha comprado uma prenda. de vomitar, não? quer a parte da prenda quer a parte dos pequenos mas constantes avanços sobre a dignidade pessoal e de género que se permitem sem a percepção do contínuo em que estas se situam. tanto no seio de um casal como na sociedade mais lata são tantas as agressões - pequenas ou grandes - que diariamente ocorrem que o dizer basta! às vezes precisa de ser dito de fora, de alguém que percebe quando e onde os limites foram ultrapassados. é que quem está a viver as situações não as vive de repente mas numa evolução que matiza .

     
  • Às 14 Março, 2006 , Blogger Maria disse...

    por isso é que por mais parvo que seja o dia da mulher, e é parvo e é celebrado de uma forma parva pela maioria das pessoas, é bom haver um dia no ano em que nos recordam que é necessário pensar e por vezes dizer e ajudar a dizer basta. temos tendência a achar que se as coisas estão "assim" é porque assim devem estar. mas é a mudança que nos define, quer como indivíduos quer como espécie. concordo contigo: vamos forçar a mudança! :)

     
  • Às 17 Março, 2006 , Anonymous Anónimo disse...

    é muito bom saber q alguém nos compreende. porque o mais facil é sair pra rua e criticar, e dizer: se uma mulher está nessa situação é porque quer, ninguém a obriga!
    pois. o bonito é que tantos falam e ninguém ajuda...

     
  • Às 20 Março, 2006 , Blogger Cristina disse...

    Para quem quiser saber mais:

    Em 30 de Abril de 2002, o Conselho da Europa adoptou a recomendação Rec(2002)5 aos Estados Membros, relativa à protecção das mulheres contra a violência.

    Este é certamente um dos instrumentos mais abrangentes na área da protecção das vítimas:

    definindo o conceito de violência contra as mulheres como qualquer acto consubstanciador de violência de género, do qual resulta sofrimento físico, sexual ou psicológico para a mulher, abarca problemáticas tão distintas como a violência doméstica, o turismo sexual, os crimes de guerra, a mutilação genital, etc.

     

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