"O que seria do futuro se o presente tivesse medo do passado?!"
Por muito turbulentos que tenham sido muitos dias, já por cada um de nós percorrido, chega um momento em que já não há mais forças para chorar, para ficar num murmúrio sofrido, de olhos presos na causa das lágrimas que nos atira contra uma parede, nos esmaga a coragem e nos deixa cair lentamente... e damos por nós assim, sentados num canto, tentando abandonar-nos a nós mesmos. Querendo deixar tudo para trás, e acrescentar definitivamente um ponto final.
E emerge a solidão desesperada de uma incompreensão demasiado profunda.
E tudo são dúvidas e areias movediças.
E tudo acaba.
É a desistência que vence e se torna heroína de uma batalha há muito perdida...
Não, talvez ainda não...
Porque algo recomeça.
Há ainda um gesto invencido que não se resigna.
E aquele olhar perdido tem ainda um toque suave de vida.
Emerge um ultimo suspiro de vida e nele soltam-se aos poucos memórias vagas, inconstantes, surpreendentemente fugazes.
Nada mais por dizer.
Nada mais falta fazer.
Nada mais poderá ser feito.
E neste momento tudo começa a ter sentido, porque já nada tem sentido nenhum. Não se procura um milagre, uma palavra que perfure todas as certezas concretas de uma existência já de si tão incerta. Nem mesmo um abraço forte de saudade, sincero ou também ele desesperado.
Nada se procura.
Nada se espera.
Mas algo se encontra... e habita ainda por entre a loucura moribunda de um destino que termina. Sussurra na lentidão da sua fraqueza que há uma razão, um motivo insistentemente significativo.
Há algo por fazer.
Há sempre muito para fazer.
Tudo ainda poderá ser feito.
E quando não havia mais nenhuma lágrima ainda viva, contra tudo o que o é expectável, elas surgem ainda mais impulsivas que nunca.
É a morte que abraça...
É a vida que luta....
É a coragem da sobrevivência que se impõe... e ganha ainda esta batalha.
Apesar de ficarem tantas cicatrizes de tanto sofrimento, de tanto que ficou por dizer, por fazer, por amar...
E ainda que tantos desistam...
Não desistas.
Não pelos outros mas sobretudo por ti.
E serás capaz de fazer tantas coisas, de dizer tantas mais. E de gostar. De amar. De novo.
Não desistas de ti.
Nunca. Ainda que essa seja a única porta que parece abrir-se. Porque em algum lugar, numa in
certeza como a tua, de certo está aquele olhar que te acalma, aquele silêncio paciente que te compreende, aquele sorriso que te encanta.
certeza como a tua, de certo está aquele olhar que te acalma, aquele silêncio paciente que te compreende, aquele sorriso que te encanta.Levanta-se.
Sai desse mundo só.
E se de todo não conseguires encontrar essa pessoa, aguarda serenamente que ela te encontre...
E sobretudo não engarrafes o amor que tens em ti.
Porque ele é tão imenso que será simplesmente impossível. E se alguém não compreendeu a grandeza do que sentias, não prives outra pessoa de ter esse previlégio, de poder estar momentos inesquecíveis a teu lado.
Não desistas.
Não te resignes.
Por ti...
Por mim....
Pelo mundo. Ele necessita de sobreviventes corajosos e não de fortes desistentes.


2 Comentários:
Às 22 Março, 2006 ,
Isabel disse...
Olá!
Realmente é muito dificil falar nessa situação porque só quem passa por ela, é que sabe e sente a dor!
Mas como tu és uma mulher muito forte e corajosa, tens que passar por cima disso porque nem ele nem ninguém merece o teu sofrimento. Relativamente aquilo que ele te fez foi de um autêntico canalha porque ele não teve a audácia nem a coragem de te dizer cara a cara!!
Por isso, cabeça levantada e fala, desabafa porque vai te fazer muito bem, amiga mais que aquilo que tu pensas!
Vais ver que vais conhecer alguém que te mereça!!
Força amiga.
Às 22 Março, 2006 ,
Cristina disse...
Bem, eu escrevi este texto já há algumas semanas e apenas resolvi colocá-lo aqui porque entretanto estive em contacto com amigas e amigos que estavam a passar pela mesma situação e me lembraram que há muito não liam nada do que eu escrevia...
É apenas um desabafo e nada mais.
Compreendo perfeitamente que a vida é feitas destas coisas. As pessoas encontram-se apaixonam-se e depois a magia desvanece-se. Faz parte da utopia da vida: a procura insistente da outra metade. Eu pensava que a minha procura tinha terminado e de repente percebi que ela ainda mal começou...
E agora, depois deste tempo todo já olho de forma mais serena e muito mais lúcida para tudo o que aconteceu e tudo o que quero é poder manter todos aqueles momentos fantásticos na minha memória e olhá-los como aquilo que eles realmente são: pequenos momentos de felicidade que moram no meu passado. Tudo o resto, um dia,o tempo levará.
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